terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Só no Cabelão

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Releitura do clássico Rapunzel é a aposta da Disney para começar com pé direito o ano no disputado mercado de 3D.


Todo mundo está careca de saber que a Pixar é a mais fodona poderosa produtora de animações digitais, e isso desde o início. A Dreamworks não fica muito atrás, embora não tenha o mesmo sucesso da Pixar. A Disney resistiu durante muito tempo a esse novo campo da animação, continuando a lançar desenhos na técnica tradicional. Começou a se arriscar, amargou fiascos... Mas agora, parece que a disputa começa a ficar mais equilibrada, pelo menos da parte da Disney. Com Enrolados (Tangled, 2010), o salto tecnológico é visível e a narrativa clássica do estúdio é revivida, claro que de forma modernizada. Estão de volta as longas cenas musicais (na minha opinião, totalmente obsoletas e desnecessárias, exceto por uma cena), os mascotes simpáticos (coadjuvantes que por vezes ficam mais famosos que os protagonistas), e o clássico tema "princesa disney", que ganha mais uma notável figura com uma Rapunzel de enormes e cativantes olhos verdes, cabelos colossais, como bem deve ser, e uma mentalidade inocente que conquista crianças e adultos, junto com o sorriso mais colgate que já se viu.

Não duvide: Rapunzel barbariza com sua frigideira +47 contra ladrões
Nessa versão modernosa e dinâmica, o ladrão Flynn Rider, ladrão galante e de coração puro, consegue roubar a tiara real, fugindo com ela para a floresta junto com seus dois companheiros de crime, dois irmãos mal encarados e brutamontes. Na fuga, Flynn os despista e fica com a tiara só para si, precisando encontrar o esconderijo perfeito para escapar dos soldados do reino. Acaba encontrando, por acidente, a torre onde está presa Rapunzel, há dezoito longos anos. A partir desse ponto, o casal se enrola cada vez mais, como diz o título, e a mão certeira da Disney parece renascer com tudo.

Com um cabelo desse, qualquer um consegue o que quer
As piadas são ótimas. Os mascotes Pascal (um camaleão cheio de personalidade) e Maximus (um cavalo que está mais pra cão perdigueiro) são perfeitos, roubando a cena sem dizer uma palavra - o que aliás, é um ponto mais que positivo, em termos de narrativa, já que gestos e expressões são muito mais universais. Flynn e Rapunzel são um casal com química do início ao fim, ao contrário de muitos casais de animação, que começam excessivamente irritantes nos seus atritos para depois ficarem "de bem". E a vilã do filme, a senhora com jeito de cigana que mantém Rapunzel cativa através da boa e velha manipulação emocional, tem momentos de cinza, onde seus motivos são justificáveis e seu amor pela nova princesa Disney parece legítimo.

Sinceramente, quem não queria um desses pra criar?
CG Level UP - quanto a técnica, Enrolados mostra o quanto a computação gráfica avançou nos últimos anos. Pegue um filme de, sei  lá, três, quatro anos atrás e compare. É uma diferença absurda! O nível de realismo e de fluidez dos movimentos, de sincronismo entre as várias peças envolvidas na cena, textura, iluminação, modelagem, enfim, tudo parece superior em termos de CG. As cenas de ação derrubam o queixo de qualquer um - e olhe que nem assisti em 3D! Falar nisso, dá para perceber, em vários trechos, que assistir Enrolados em 3D deve ser uma puta experiência. Sem dúvida, a cena das lanternas flutuantes, no final, devem ser um arraso, pois já causa um grande impacto em 2D.

Uma das cenas mais lindas e emocionantes de Enrolados
Enfim, Rapun... quer dizer, Enrolados já entra pro hall das boas animações de 2011. Assistam sem receios, e de preferência, em 3D, como meu caro amigo Caio fez.

WTF José Bezerra? - A dublagem não é de todo má, embora teria sido beeem melhor se não tivessem escalado Luciano Huck para o papel de Flynn Rider. Somos obrigados a ouvir sua voz anasalada, que não combina em nada com o ladrão que cai nas graças de Rapunzel, durante todo o longa... Se isso já não fosse ruim o bastante, temos piadas sobre narizes que ficam meio forçadas e um "loura" pra cá, "loura" pra lá, como se Angélica estivesse ali, durante a dublagem e fosse assumir a voz de Rapunzel a qualquer momento (#medo!). Tirando esse pequeno detalhe da adaptação, o filme é ótimo. Pode levar seu filho/sobrinho/primo/irmão mais novo que ele vai curtir. Ou vá com a namorada, com os amigos, enfim. Enrolados vale muito a pena. E quanto a José Bezerra... Não vou dar spoiler! Assista!

Enrolados
NOTA: 8.5/10





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-o dublador de Flynn no trailer NÃO É Luciano Huck. Aliás, gostaria muito de saber quem é, pois ele sim deveria ter dublado o filme!

-esse segundo trailer oficial é muito mais bacana e dá uma ideia bem melhor do que você pode esperar do filme. Penei um pouco para achar, mas valeu a pena.

-falando em trailers, quando você for assistir Enrolados no cinema, poderá conferir o trailer de Carros 2, que já mostra um visual muito fodástico, embora não deixa muito claro a que veio em termos de história.

Olindance, meu velho!

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Clique na figura e baixe cd+capa+encarte
Concebido desde o fim de 2009 e durante todo o ano de 2010 em sessões no Maruim Estúdio (Olinda) e Fábrica Estúdios (Recife), o CD 'Olindance' (2011-Independente) da ACADEMIA DA BERLINDA chega às redes sociais, blogs e em todo o mundo virtual a partir desta quarta em sua versão final masterizada.

A bolachinha está em fase de prensagem na fábrica, após mixagem por Buguinha Dub e masterização por Gustavo Lenza no Estúdios YB! e tem lançamento oficial previsto para o dia 26 de fevereiro de 2011 na prévia do bloco ... Enquanto isso na sala da justiça...

Com 14 faixas, o segundo trabalho dos olindenses contemplam novamente a dança de bailes onde o principal objetivo é a diversão e a "formação de pares". O disco passeia por vários ritmos como a cumbia, a jovem guarda, o samba e, mesclando ao carimbó do Pará e o bugalloo colombiano entre outras influências mas sempre com o jeito 'OLINDANCE'  de fazer música.

O CD contou com patrocínio da ONG VIA DO TRABALHO e apoio da Maruim Records, Fábrica Estúdios, Studio Mundo Novo e Refinaria Cultural.



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Um rápido comentário meu: o cd tá muito bom, galera! Eu particularmente desconhecia o trabalho da Academia da Berlinda, mas fui escutando, escutando, e o resultado é simplesmente uma maravilha. Eu, que nunca gostei muito de dança, não consigo ouvir esse novo trabalho da Academia da Berlinda e não querer levantar e dançar. O show no Enquanto Isso..., que também terá Monobloco, promete muito agito e diversão. É isso, baixem Olindance, puxem seu(sua) nego(a) pra dançar, sem se importar com nada, e se divirta, meu caro!


A banda está fazendo uma estratégia de divulgação bem legal, distribuindo o cd para download gratuito. Mas não é só isso: divulgue o lançamento de Olindance nas suas redes sociais e concorra a um cd autografado no dia 26 de fevereiro, dia do Enquanto Isso... Usem o link abaixo para concorrer:


http://academiadaberlinda.blogspot.com/2011/01/baixe-aqui-o-novo-cd-da-academia-da.html#comments


E isso, gente. Abre a sala pra dançar ao som da Academia da Berlinda!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

[Zapost] "A Origem" do meu desapontamento...

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Assisti "A Origem" e... sinceramente, não vi nada demais.

Quero dizer, como experiência estética, o filme tem momentos realmente marcantes. Como não se impressionar com a cena da cidade sendo recriada em termos fisicamente impossíveis ou das cenas simulando gravidade zero? Quanto a efeitos especiais e direção de arte, não há do que reclamar.

Agora, em termos de história, de narratividade e, ouso dizer, de ideia, francamente, "A Origem" não tem nada demais. Foi mais o hype de seu lançamento que fez o filme ganhar projeção na mídia e nos cinéfilos.

DiCaprio está a mesma porcaria de sempre, com aquele ranço de Howard Hughes de "O Aviador" que ele parece não largar mais. Pra mim, chamaram mais atenção os coadjuvantes Joseph Gordon-Levitt e Tom Hardy. De resto, atuações normais.

O filme tinha gás pra ser o melhor de 2010. Mas fica tão fixado na sua megalomania que chega a ser enfadonho depois de um tempo. Vi coisas muito mais simples causarem muito mais impacto - como "O Segredo dos Seus Olhos" e "A Rede Social".

Zap.


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Zap= palavra que no inglês transmite ideia de rapidez, de algo repentino.  Também pode transmitir ideia de algo chocante, elétrico.
Zaposts= neologismo para textos rápidos, que até poderiam ser desdobrados, mas que dispensam tal necessidade. Ou seja, curto e grosso.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Eu quero sexooo!

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Comédia nacional deste verão, De Pernas Pro Ar une boas atrizes - sem trocadilho, hein? - roteiro diferenciado e um assunto que nunca fica pra baixo: S-E-X-O!


À primeira vista, quando só havia um trailer rodando por aí, a ideia que eu - e provavelmente MUITA gente Brasil afora - tinha era que De Pernas Pro Ar seria a típica comédia brasileira sustentada num elenco de Globais (plim plim!), abusando de piadas chulas e palavrões. Que nada! Foi uma grata supresa ver que esse filme foge e muito das típicas comédias do nosso cinema.

Primeiro, pelas estrelas do filme: Ingrid Guimarães e Maria Paula. Ingrid ficou famosa por conta do seriado Sob Nova Direção, onde contracenava com a amiga de longa data, Heloísa Pérrisé, com quem também rodou o país com a peça Cócegas, com vários esquetes engraçadíssimos de situações (às vezes nem tão) corriqueiras, muitos deles focados no universo feminino e seus desafios na sociedade contemporânea. A peça completou nove anos de montagem no ano passado, terminando a temporada com a gravidez já bem avançada de Ingrid. Tudo indica que a peça volta este ano. Já Maria Paula é famosa a mais tempo, ao menos na tv, graças ao Casseta & Planeta, humorístico que encerra as atividades este ano para uma reformulação. Há anos fazendo o mesmo tipo de piadas, o grupo caiu na mesmice, principalmente na fase sem Bussunda, que morreu em 2006. Maria Paula, única mulher fixa no elenco do programa, começou como apenas mais uma mulher gostosa com dotes sensuais, caras e bocas e sussurros de tele-sexo. Quem diria, com o tempo Maria Paula se revelaria uma ótima comediante, capaz de ótimas imitações e paródias de personagens que estavam em voga na tv brasileira?

Esse contraponto entre uma atriz predominantemente interpretativa e de grande poder de improviso com outra de muito talento, mas ligada a uma comédia de estereótipos, formou um equilíbrio perfeito. Há uma sintonia visível entre duas, que devem ter rido litros durante as filmagens.

Promoção 69: não, isso não vai fidelizar a clientela...
De Pernas Pro Ar conta a história de Alice, uma bem sucedida profissional do marketing de uma loja de brinquedos, que só pensa - literalmente - no trabalho, incapaz de dar a devida atenção ao marido e ao filho. Na verdade, até a ela mesma. Alice é promovida a um cargo de gerência, que vai consumi-la ainda mais, o que não a incomoda nem um pouco. Para ela, sua família vai entender. Aham, senta Cláudia...

O mundo de Alice começa a desmoronar no mesmo dia: o marido pede um tempo (de um forma indelicada, inclusive), sua mãe insiste que ele trai a filha e, devido a um pequeno acidente, sua apresentação para a diretoria da empresa é um fiasco. Sem marido, sem emprego, Alice começa uma amizade com Marcela, vizinha gostosa e meio vulgar, com quem ela nunca havia trocado uma palavra. A medida que vão se conhecendo, Alice descobre que Marcela é dona de uma sex shop. Marcela, por sua vez, tenta abrir os horizontes da nova amiga para um mundo mais prazeiroso...

Alice num momento de descoberta com seu coelhinho...
Daí em diante, o filme é uma ótima progressão de situações cômicas, onde o sexo, direta ou indiretamente, está envolvido. Esse é o segundo ponto de destaque sobre De Pernas Pro Ar: apesar de ser um filme brasileiro de comédia com a temática do sexo bem forte, não cai na armadilha do grosseiro, do mau gosto, do chulo. Para se ter uma ideia, só há um palavrão no filme inteiro (trepada), num contexto totalmente cabível. As piadas também não são sujas (lembrei de Gerson, de Passione, aquele do "eu gosto de sexo sujo". #fail). São bem orquestradas, usando o duplo sentido sem vulgaridade. Nem mesmo os brinquedinhos - clichê maior de uma sex shop - são usados de forma tosca como, por exemplo, na cena inicial de "Não é Mais Um Besteirol Americano", onde a mocinha se masturba com um vibrador gigante que termina destruindo o bolo de aniversário que sua família carinhosamente lhe preparou. Fui esperando um cinema de "só putariaaaaaaa"* e saí da sala agradecido pelas risadas, num filme que, apesar do tema, não virou um "American Pie" ou um "Todo Mundo em Pânico 2".

Amor, de novo? - No nosso momento "descendo a lenha", o que posso dizer é que a interpretação de Ingrid guarda um pouco do trabalho dela em Cócegas. Bruno Garcia, que faz João, o marido de Alice, ficou meio perdido, e seu personagem é meio chatinho, bem careta e dramático. Mas de certa forma, um reflexo da macharia predominante que diz que dialoga com a esposa e nada. Um porém: Denise Weinberg, que interpreta Marion, mãe da protagonista, convence pra caramba no papel de uma senhora com a sexualidade bem desenvolvida. Achei ótimo não fazerem dela a típica velhinha-ninfomaníaca-constrangedora. Ela fez, sim, uma mulher de terceira idade, cujo desejo não ficou preso às amarras sexistas de outrora. Um ponto mais que positivo pro filme.

De Pernas Pro Ar
NOTA: 8.0/10



EXTRAS:
-Curiosidade: o nome, a princípio, seria "Sex Delícia", mas foi trocado após pesquisas que revelaram rejeição do público.

-O diretor, Roberto Santucci, é o mesmo de Bellini e A Esfinge, adaptado do livro de Tony Bellotto. O filme, hoje relegado aos círculos cults, foi um fiasco por conta da distribuidora, que não contava com um planejamento e estrutura adequados para o serviço - segundo o próprio Santucci.

-Clipe de divulgação com Ingrid Guimarães e Maria Paula para o funk "Só no Dedinho", que toca no filme (na verdade, não toca, mas assista que você vai entender...):


-Vídeos promocionais de "De Pernas Pro Ar":

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*Esse "só putariaaa" se refere a um susto durante o Natal, perto da casa de minha namorada: uma caminhonete vinha rápida, som alto, tocando funk. Na hora em que passava por nós, o "cantor" gritou em alto e bom só SÓ PUTARIAAAAAAA. Tomamos um imenso susto, pelo volume do som, mas caímos na gargalhada pelo jeito que o cara gritou aquilo!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Dilma finalmente assume...

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12 anos de governo do PT numa imagem. Será que iremos a 16?
Ontem se deu uma das mais importantes cerimônias de posse presidencial no nosso país. Uma que marcou o fim da Era Lula, um dos períodos de maior crescimento e prosperidade nacional na história, e o início do governo Dilma Roussef. A tarde de sábado em Brasília foi marcada por momentos de quebra de protocolo (emocionantes, diga-se de passagem), por discursos imensos (e um tanto desgastantes de se ver na TV), de encontros improváveis (generais jurássicos da Ditadura vendo uma ex-guerrilheira assumir o poder; Hillary Clinton e Hugo Chavez se cumprimentando...) e de uma figura que entrou muda e saiu calada, mas que virou bafon no Twitter (a mulher de Michel Temer, Marcela, ex-miss e 42 anos mais jovem). Não pude ver a cerimônia completa ao vivo - o corpo ainda cobrava o primeiro sono do ano - mas conferi imagens nos telejornais e vi que naquela tarde chuvosa, se fez História. Do tipo que será lembrada por muitos anos ainda. Valeu, Lula. Salve, Dilma!