terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O que ouvi de bom em 2012

Esse é o tipo de post que deveria ter sido escrito no ano passado. Mas convenhamos, ainda estamos com aquela nódoa de 2012 na pele. Como tive um pequeno reencontro com a música no ano velho e a ideia de escrever a respeito só me veio tarde demais, então, antes tarde que nunca.

O ano passado foi marcado por uma deterioração da música em escala épica. Não há como negar, a música brasileira passou um processo de onomatopeização e monotematização. Muita gente só queria saber do tchu e do tcha, do camaro amarelo, do momento em que o a criatura vai matar o papai ou se a delícia vai ser pega ou não (entendedores entenderão). Pegue isso e some ao cenário mais do que manjado dos jabás nas rádios brasileiras e à pirataria sempre presente e o que se tem? Um monte de artistas parecidos, cantando músicas sem a menor inteligência ou graça, feitas literalmente para conduzir gado. Pena que, neste caso, não estamos falando dos quadrúpedes ruminantes.

Alguém vai querer dizer, então, que lá fora a coisa tava muito melhor. Conversa! A menos que o sujeito tivesse o mínimo de interesse e paciência para garimpar bandas novas - ou novos trabalhos das bandas antigas - ficaria restrito a ouvir, nas rádios, Rihanna, Carly Rae Jempsen, Demi Lovato, Justin Bieber e outras menininhas do pop chicletinho internacional. Catzo! Haja paciência!

Bem, infelizmente não fiz uma pesquisa mais trabalhada sobre o que rolou de bom (e de ruim) na música em 2012, até porque não é o foco do post. Vim para compartilhar o que ouvi de bom ano passado. Ou seja, não pense que a lista que se segue é algo tipo "todo mundo ouviu e por isso são boas" ou "selecionadas seguindo critérios cabeças de corredores de faculdade". São escolhas puramente pessoais (tanto que nem todas são lançamentos do ano) do pouco que tive oportunidade de apreciar no vasto campo da música.

Siba
Lançando Avante no primeiro dia do ano, o músico deu um tempo no Siba e a Fuloresta pra trazer um disco arretado, com letras belíssimas e melodias deliciosas. Apesar de ter sido, praticamente, o primeiro disco de 2012, teve uma recepção tão boa que conseguiu figurar em praticamente todas as listas de melhores músicas ou álbuns do ano, não caindo no esquecimento nem sendo eclipsado por outros lançamentos que vieram depois. Confira a faixa "Ariana", uma das melhores do álbum na minha opinião. Experimente também "A Brisa", "Preparando o Salto", "Cantando Ciranda na Beira do Mar" e "A Bagaceira", que é praticamente um passeio lírico pelo Carnaval pernambucano.



Tiê
Demorei muito pra descobrir o som dessa menina de voz doce e tranquila. Sempre dava uma preguiça de procurar as músicas dela, até que um dia acabei deixando isso de lado e ouvi a garota. E confesso, fiquei fã. Suas letras tem uma gentileza envolvente que toma você pela mão e o convida para um mundo de fantasia, um País das Maravilhas sem tantas loucuras. Os dois álbuns que ela gravou até agora são muito bons, embora eu tenha uma leve predileção pelo primeiro, Sweet Jardim. Desse, eu deixo a faixa de abertura, "Assinado Eu". Recomendo também as seguintes: "Dois", "Quinto Andar", "Passarinho", "Te Valorizo" (que é lindíssima) e "Sweet Jardim". Do segundo, A Coruja e O Coração, vou deixar aqui a versão dela para "Você Não Vale Nada" (acreditem, ficou ótima!) e as indicações de "Só Sei Dançar com Você", "Piscar o Olho" (que até foi trilha de novela recente) e "Já é Tarde".




Céu
Já conhecia muito bem o som todo trabalhado na malemolência e sensualidade de Céu. O terceiro CD, Caravana Sereia Bloom, lançado em 2012, veio com uma pegada road movie, como tantos releases e entrevistas fizeram questão de deixar claro. Eu tive problemas pra gostar desse trabalho da cantora, achei muito mais do mesmo. Talvez eu tenha esperado um pouco mais de coragem dela pra experimentar. Com o tempo, fui curtindo e acabei "aceitando" o som dessa sereia. Agora, se teve uma coisa nesse CD que me fez pirar foi "Retrovisor", primeiro single do álbum e cujo clipe foi gravado em Itamaracá, Pernambuco.
Para ouvir também: "Falta de Ar", "Amor de Antigos", "Contravento", "You Won't Regret It", "Baile da Ilusão" e "Chegar em Mim".


Otto
A aguardada sequência de Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, The Moon 1111 demorou muito (tava prometido pra sair perto do Carnaval, se não me engano e só foi sair em outubro). Além disso, não teve nada dos elementos que estavam sendo prometidos para ele. Falava-se numa sonoridade mais orgânica, afro, um retorno aos primeiros álbuns dele, com uma pegada que lembraria, p.ex., Fela Kuti. O que chegou foi um CD bem pop (José Telles, do Jornal do Commercio, se atreveu até a dizer que era o trabalho mais pop do cantor), com uma ou outra letra mais escrota, no melhor estilo do cara. Ponto negativo na expectativa criada, mas ainda assim, um álbum massa.
"Dia Claro" abre o disco. Coisa boa também você encontra em "HDeus", "Exu Parade", "The Moon 1111" e "DP".


Di Melo
É aquele artista que tu para e pensa "por que carambas eu não tinha escutado isso antes?". O cara foi revelação lá pela década de 70, mas caiu no esquecimento a ponto de acharem até que já estava morto. Porém, um documentário o trouxe de volta à vida e agora, nós, pobres mortais nascidos dos 80 pra cá, podemos conhecer o trabalho fenomenal de Di Melo. Pra vocês, "Kilariô", música que eu já curtia no estágio, graças a uma amigona, mas nem fazia ideia de quem era. Quando vi o filme no Cine PE, foi o maior mind-blowing que tive com música no ano que passou! ;D
Ouçam também: "A Vida em Seus Métodos Diz Calma", "Aceito Tudo", "Má Lida" e "Alma Gêmea".


Florence + The Machine
A banda dispensa apresentações. 2012 foi o ano deles, Cosmic Love levou a música a outro nível sensorial para mim (e acredito que para muita gente também). Lançaram no segundo semestre o MTV Unplugged Florence + The Machine, onde o talento vocal de Florence Welch é posto à prova. Não gostei muito do resultado, pois algumas músicas, pra mim, perderam aquela energia que as versões de estúdio tinham de sobra. Pra conferir aqui, "Cosmic Love", de longe a minha favorita.
Ouça também: "Dog Days Are Over", "Rabbit Heart (Raise It Up)", "I'm Not Calling You a Liar", "My Boy Builds Coffins".


La Roux
Uma banda que descobri no meio do ano graças ao trailer do filme Dredd e da qual gostei de imediato. O som com influência oitentista, especialmente bandas britânicas de synthpop da época, me fisgou na primeira ouvida e por muito tempo, no ano passado, foi minha principal distração no trajeto matinal caótico pelo trânsito recifense até meu estágio. Só tem um disco até agora, La Roux, e parece que tá preparando material para este ano, batizado TBA.
Ouça também: "In for the Kill", "Quicksand", "Reflections Are Protections", "I'm Not Your Toy", "Growing Pains".


Mariana Aydar
Essa é mais uma que eu estava em débito. E eu simplesmente não acredito que demorei tanto pra prestar atenção nessa moça. Peguei gosto mesmo semanas antes do show que ela fez no Teatro Santa Isabel - que por sinal, foi perfeito! Tudo na performance dessa criatura é lindo. Ela consegue transformar "Vai Vadiar", de Zeca Pagodinho, num quase-tango! Mariana Aydar é daquelas preciosidades da música que merece e precisa ser mais divulgada. Seu último disco, Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo, é deslumbrante. Enfim, vou parar com a babonice e deixar você com a faixa "Florindo", além das sugestões (todas do último disco): "Solitude", "Os Passionais", "Nine Out of Ten", "Preciso do Teu Sorriso" e "O Homem da Perna de Pau".


Orquestra Contemporânea de Olinda
Eu conhecia pouquíssimo da OCO até um show deles na confraternização do Governo do Estado para a imprensa pernambucana. Foi um primeiro contato sem grandes repercussões na minha vida. Muito tempo depois, fui atrás das músicas e comecei a curtir a banda timidamente. Foi só com o lançamento de Pra Ficar, segundo álbum da banda, que passei a gostar mesmo dos caras. O som deles parece repetitivo às vezes, mas isso ajuda um pouco a manter a cadência entre cada faixa. Parece que se está ouvindo uma única faixa, dividida em trechos menores. Fiquem com "No Ar" como aperitivo.
Ouça também: "Falar pra Ficar", "Mar Azul", "Suor da Cidade", "Do Bem", "Boneco Gigante" e "Janela"



Ainda teve Criolo (que pra mim surgiu tão rápido quanto ~se foi~), Los Sebozos Postizos (que consegue tornar Ben Jor ainda melhor), Dona Onete (um patrimônio do Pará e que conferi por acaso no RecBeat 2012), Luiz Gonzaga (seu centenário definitivamente não passou em branco), Lulina (que descobri através do mui bacana tributo Jeito Felindie), Marisa Monte (muito obrigado por foder minha alma com "Depois", viu, dona?) e Zeca Baleiro (que eu perdi o show no Baile Perfumado por conta de uma burocracia daquelas bem burras).

Pois foi isso que andei escutando em 2012. Teve mais coisa além dessas, mas foram menos relevantes ou impactantes, ou simplesmente casos isolados. E vocês, o que andaram ouvindo no ano passado?


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