terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Apresentando El Gato

Apesar de muito adiado, o spin-off de Shrek exibe grande evolução técnica, cumprindo o objetivo de contar o passado do Gato de Botas e, ao mesmo tempo, divertir muito.


Desde sua primeira aparição em Shrek 2, o Gato de Botas conquistou fãs no mundo todo com seu olhar pidão capaz de amolecer o mais duro coração. Após Shrek Terceiro, a notícia de que um filme só do Gato foi mais do que aplaudida. O personagem tinha charme, energia e carisma de sobra. Por que não fazer? Demorou, mas finalmente Gato de Botas (Puss in Boots, 2011) chegou aos cinemas, mostrando que a Dreamworks ainda tem fôlego para brigar com a Pixar no ramo da animação digital.

Em primeiro lugar, é preciso ressaltar a beleza visual desse filme. As animações dos personagens estão assustadoramente fluídas, realísticas ao extremo - especialmente nos detalhes de pelos e penas, fora os ângulos frenéticos, dando uma sensação bastante agitada e agradável de se ver. Conjugado com o apuro técnico, o roteiro é bem bolado, dentro do que se podia esperar de um filme que se preocupa em contar as origens do Gato.

O baita duelo entre o Gato e... Não vou entregar! :P
Em busca de algum serviço interessante e que lhe renda uma boa quantidade de ouro, o Gato fica sabendo que os lendários feijões mágicos (aqueles da história de João e o Pé de Feijão) estão em posse de dois criminosos de alta periculosidade, o casal caipira e mal encarado Jack e Jill. Com esses feijões, ele poderia alcançar o castelo do gigante, nas nuvens, e roubar-lhe a gansa dos ovos de ouro. O que o Gato não contava era que uma figura de seu passado fosse reaparecer e se envolver nessa busca junto com ele. 

E a figura é Humpty Dumpty, um ovo antropomórfico, personagem de uma rima infantil de origem inglesa (e assim como o Rumpelstiltiskin de Shrek Para Sempre, um personagem nada familiar às crianças brasileiras). Ele tem um plano preparado há muito tempo para conseguir os tais feijões e precisa da ajuda do Gato para efetuar sua façanha. O passado dos dois, no entanto, é turbulento, graças a uma velha mágoa de quando ainda viviam em San Ricardo, o vilarejo onde fica o orfanato em que ambos cresceram e se conheceram. Fechando o grupo está a gata Kitty Pata-Mansa, com certeza a maior ladra que um filme de animação já teve, o love affair do Gato de Botas. Juntos os três personagens mergulham numa aventura onde amizade será o principal valor a ser testado e reforçado.

Humpty Dumpty, o menino-ovo.
Gato de Botas funciona dentro de uma estética de faroeste, não apenas pelos cenários, mas até por certos enquadramentos e recursos narrativos, como o split screen. O próprio estilo das cenas de ação no deserto e na vila de San Ricardo remetem a filmes desse gênero, enquanto os momentos noturnos parecem mais alinhados com uma estética de filmes capa-e-espada. No entanto, faz falta o elemento fantasia, que tanto permeia a franquia Shrek. O excesso de personagens humanos - absolutamente comuns - tira um pouco da magia que se esperava desse spin-off, o que é bem compensando com o pique mais voltado para ação que o Gato de Botas evoca.


A Dreamworks mostra que se preocupou não apenas com o aspecto técnico do filme, mas também com a profundidade dos personagens, dado um background encorpado para o herói, além de entrelaçá-lo de forma muito competente ao de seus companheiros. Um desafio e tanto, se pensarmos que ele não passava de um coadjuvante com sotaque espanhol e o tal olhar pidão. Cada um deles tem o seu motivo de ser e suas habilidades únicas. Como numa partida de RPG onde o jogadores preferem trabalhar as diferenças e semelhanças de seus personagens, ao invés de travar forças que apenas soterram o grupo.


Clima de paquera
Outro ponto interessante - e que só confirma a minha teoria de que as animações de hoje não tem nada de infantis - é o número acentuado de piadas que insinuam sexo e sensualidade. Nada contra, mas é meio constrangedor, por exemplo, um figurante querer mostrar os seus "ovos de ouro" para o protagonista logo nos primeiros minutos de projeção quando você sabe que a sala está cheia de crianças. Contraditoriamente, numa grande cena de sacrifício heróico nos momentos finais, o puritanismo dá um desfecho estranho para a cena, dificultando até certo ponto o entendimento do que aconteceu. Vai entender...


A dublagem brasileira está de parabéns, para variar, com o "portunhol" rasgado do Gato, o tom provocante e sensual de Kitty e a voz esganiçada de Humpty Dumpty (do tipo que lhe faz desconfiar dele desde o início). Não desmerecendo Antonio Banderas, Salma Hayek e Zach Galifianakis, que fizeram o trio de vozes do original, mas esse é um dos melhores aspectos das animações que chegam até nós, brasileiros. Talvez, o único tipo de filme que dificilmente se tem algo a reclamar sobre dublagem.


Gato de Botas
Nota: 7.8/10




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Wesley Prado é recifense, leonino, quase jornalista e nostálgico. Lembra da queda do Muro de Berlin. Simplesmente louco por quadrinhos, RPG, livros e cinema. Criador do Caixa da Memória, mas humilde demais para querer ser chamado de deus ou papai.

2 comentários:

Eva disse...

Gostei do novo layout e, aw, Gato de Botas *-* gatos fazem meu cérebro derreter, só tenho vontade de apertá-los *-*

Eva disse...

Foi a Eva, a Emi quando comenta usa o perfil Google dela xD

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