quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Nerdismo em Doses Cavalares

"Scott Pilgrim vs. The World" era uma das promessas de bilheteria nos EUA. Com lançamento na Comic Con, foi aplaudido de pé. No circuitão, amargou prejuízo. Motivo? Miraram no público errado.


Scott Pilgrim - para os não-nerds que ainda não sabem do que se trata - é uma série de HQs em seis volumes (três, na versão nacional) muito escrotinha - e nerd - sobre um jovem canadense, guitarrista de uma banda de rock, cabeça de vento e, como todo adolescente, com paixões a mil por hora. Scott nunca foi o melhor dos namorados, até encontrar a "menina dos seus sonhos", literalmente. Tudo seria perfeito se Scott não tivesse que enfrentar a Liga dos Ex-Namorados do Mal, em batalhas épicas dignas de videogame.

Simplicidade total

Scott Pilgrim é bastante simples na sua premissa. O resto é ação. Os personagens são cativantes, reais, mesmo com toda a esfera non sense que carrega a obra. Quem jogava videogame nos anos 80 e 90 (especialmente a geração Mega Drive/Super Nintendo) vai se sentir em casa ao ler/ver.

Capa da edição nacional, volume 1, pela Cia das Letras. Ainda tem mais dois a caminho.

Scott Pilgrim sai dos quadrinhos, virou filme, ganhou jogo para os consoles mais modernos - mas com estética 2D, meio pixelada, como nos bons e velhos tempos do videogame, tem bonequinho, poster, o escambau. Mas, além de falar dos quadrinhos, o motivo maior deste post é: o fracasso de Scott Pilgrim nos cinemas.

Sim, o cara tá conferindo quantas vidas ainda tem, qual o problema? Nunca fez isso?

Efeitos especiais, elenco bacana sem ser superstarizado, o filme prometia ser um pipoco nas bilheterias. Não foi. Claro que não seria! Scott Pilgrim, infelizmente, é um entretenimento de nicho [ainda]. Muito voltado para aqueles nerds que estão entrando inevitavelmente na vida adulta, que viveram/consumiram o universo referencial da obra e que tem um belo saudosismo de uma adolescência idealizada. Não é para o cidadão comum, restrito, que vai assistir Matrix Reloaded e quase grita "que mentira do caralho!" quando vê a cena de Neo parando as balas com um gesto de mão.
[sim, eu fui testemunha dessa falta de intelecto]

Para a geração PS3/Wii/Xbox, pixels e 2D podem parecer estranhos e antiquados...

Scott Pilgrim, em qual mídia for, só será aplaudido por quem entende as referências que a obra utiliza. É como assistir um filme iraniano e não entender porcaria nenhuma, por que você não tem arcabouço intelectual para tanto - não, eu também não entendo nada, antes que alguém me tome por arrogante.
[Na verdade, acho que nunca vi um filme iraniano na vida! Foi apenas uma metáfora baseada naqueles filmes cults típicos de sessão de arte]

Então, fica a dica caso você não faça parte desta tribo seleta chamada nerd: se for assistir Scott Pilgrim, deixe a realidade bem guardada no fundo do seu armário, debaixo de uma pilha de roupas velhas e gastas. Lá é o lugar dela.

Um comentário:

Caio Viana disse...

Só por sua crítica já vale a conferida...

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