quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

[Deu na Mídia] Apatia foi a marca do Pré-AMP

Texto publicado no Jornal do Commercio, Caderno C, do dia 31/01/2012

AD Luna
ad.luna@gmail.com
Especial para o JC

SELECIONADOS Babi Jaques está entre os melhores grupos.
Imagem: Divulgação
Durante três dias - entre a quinta e o sábado passados, no Pátio de São Pedro –-, 18 novas bandas pernambucanas disputaram o direito de participar da segunda e última fase do festival Pré- AMP, que acontece nesta quinta, na Rua da Moeda, a partir das 21h. Foram classificadas Babi Jaques e os Sicilianos, Araçá Blue, Aliados CP, Euqrop - as quais contaram com o voto de uma comissão julgadora (da qual este repórter fez parte) - e Sagaranna, que se classificou pelo voto popular.

Para escolher as melhores de cada noite, foram levados em conta a execução, a originalidade, performance, o profissionalismo e a estética apresentados pelos artistas.

Se fôssemos avaliar como anda a qualidade da nova cena musical recifense, utilizando-se como parâmetro os critérios citados acima aplicados a um quadro geral dos shows vistos no fim de semana, a conclusão do diagnóstico seria: preocupante!

Com exceção das seis bandas escolhidas para disputar a segunda fase da competição musical (e, mesmo assim, com ressalvas), boa parte dos grupos não mostrou nada de novo em sua musicalidade, abusou de clichês estéticos, não teve preocupação em relação à qualidade do som que era ouvido pelo público, nem com a organização do repertório, comunicação com o público e alguns até pareciam que iam dormir no palco, tal era a apatia e o conservadorismo comportamental (a popular caretice) apresentados.

Há músicos com mais de 50, 60, 70 anos demonstrando ter bem mais vontade, motivação, ousadia e até mesmo virilidade do que parte da molecada de 20 e poucos anos que empunhou seus instrumentos no Pátio de São Pedro.

Fora a questão da originalidade (item realmente difícil de ser alcançado tanto por artistas novos quanto pelos experientes), com um pouco de atenção os outros problemas podem ser sanados sem muita dificuldade pelos grupos. Sabemos que não é tão simples assim, mas é importante que pelo menos em apresentações consideradas relevantes se leve um técnico de som que conheça a música da banda. Uma equalização mal feita pode reduzir a pó um grande show.

Tocar bem é importante, mas saber executar com alto grau de virtuosismo todas as lições aprendidas em aulas no conservatório ou retiradas de métodos da Berklee não é garantia de excelência musical. Muitas vezes, simplicidade e criatividade impressionam e funcionam bem mais. Exemplo disso é The Edge, guitarrista do U2. Ele está longe de ser um virtuoso, mas conseguiu criar uma linguagem tão própria e singular que conseguimos identificar seu estilo até em Marte.

Por fim, é um ótimo exercício tentar tocar com entusiasmo, mesmo quando se está diante de pouca gente. Com essa prática, é possível que a banda comece a se destacar mediante o boca a boca produzido pelos gatos pingados que a assistiram. O negócio pode virar uma bola de neve e, já marcada pela prática da animação constante, provavelmente a banda pode se dar bem em palcos grandes e diante de milhares de pessoas.

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