terça-feira, 3 de abril de 2012

[Psicotrópicas] Cidades Putas

São 15h. Como odeio estas meias-tardes modorrentas, tão mortas quanto pássaros abatidos a tiros de badoques por moleques endiabrados. Nem ao menos uma chuva para acalentar o calor intragável dessa cidade em pleno verão tropical. Mas também, nem ia adiantar muito. Seria trocar o calor pelo caos de canaletas entupidas, a água sem ter para onde correr. Recife e sua irmã, Olinda (ou seria mãe, visto que esta é mais velha que aquela?), são como duas putas acostumadas a pisa de macho safado. Bonitas, cheias dos encantos e enfeites, se encontram malamanhadas pela constantes surras que sofrem diariamente.

Aí como queria largar essas duas! Quem sabe me entregar nos braços de puta modernosa feito São Paulo, vestindo a última moda de Milão e com o nariz enfiado em cocaína. Epa, minto eu. O negócio que ela curte agora é crack. Pó é para os fracos. Melhor não. Se envolver com puta drogada pode ser bacana no início, mas depois cansa, vira caso de internação ou de polícia. Quiçá, caixão e vela preta. Passo.

Mas tem também aquela safada, Rio de Janeiro, de pernas abertas pro mundo o ano inteiro. Vive de pele bronzeada nas areias bem frequentadas de Copacabana pela manhã, e nos bailes funk e rodas de samba noite adentro. Ouvi dizer, porém, que ela tá cheia das más companhias. Tem sido vista aos amassos com “chefes” de morro, mulata numa mão e AR-15 na outra. Pior: já me disseram que até com jogador do Flamengo ela tem andado... Melhor esquecer essa também. Com puta mal frequentada, basta pegar na mão. A sua reputação ou o seu pinto, ao menos um dos dois sai podre nessa história.

Mas será que num sobrou nenhuma outra? Nenhumazinha? Natal é linda, faceira como Deus quis, mas só quer saber de turista europeu, cheio de amor (e euros) pra dar. Sorry, baby, mal tenho dinheiro pro aluguel, quanto mais pra te sustentar. Quem sabe, se um dia a coisa melhorar... Maceió e João Pessoa, aquelas pequenas provincianas... Casaria com elas se não fossem tão lesinhas, tão paradinhas. E se você um dia me vir aos agarros com aquela Salvador, pode chamar a ambulância e me internar!

Tem outras tantas oferecidas por aí, cheia de abraços e chaves de perna (pra não dizer de outras coisas), aqui e lá fora, do outro lado do mar. Mas depois de tanto tempo, tanto conviver, de saber o gosto, de saber que não vou esquecer esse gosto e trocar por outro, de sentir o sal do mar no beijo gelado do vento, do ruge-ruge e das patadas cotidianas, do inusitado e do comum do dia a dia, quer saber de uma coisa? Não largo essas duas quengas, Olinda e Recife, por nada nesse mundo! Pode me chamar de besta se quiser. Mas depois, não morra de inveja. Afinal, quantos podem dizer por aí que pegaram duas, mãe e filha, ambas jeitosinhas, cheias de charme, hein?


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Um comentário:

Júlia Menezes disse...

Sempre que viajo vejo Recife em alguma outra cidade, não tem jeito! Não esqueço a danada nem pro um diazinho! Não consigo trair!

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