domingo, 21 de novembro de 2010

Aposentadoria Nada Tranquila



RED – Aposentados e Perigosos traz elenco de primeira, ótima mistura de ação e comédia e cenas bombásticas. Uma combinação muito bem vinda.

Por que, após anos de serviço, mostrando com orgulho uma ficha de grandes colaborações, o sujeito tem que se aposentar e viver uma realidade cercada pelo marasmo e pela sensação de inutilidade? Ainda mais quando se é um agente secreto? Em RED – Aposentados e Perigosos, vemos como a aposentadoria pode ser nada tranquila. Bruce "McLane" Wilys (perfeito no papel, com seu jeitão cínico de sempre) interpreta o agente Frank Moses, um tiozão que prestou grandes serviços para seu país sob comando da CIA e que, atualmente aposentado, vê nas conversas com Sarah Ross (Mary-Louise Parker, uma gracinha), teleatendente do INSS, a única grande aventura de sua vida.

É quando Moses se vê numa conspiração, caçado pela própria agência em que trabalhava, que ele aproveita para voltar aos velhos tempos. Sarah é arrastada por Moses, já que também é alvo da agência, e as incríveis cenas de RED começam a pipocar – literalmente – aos nossos olhos. Desde de Inimigos Públicos que eu não via tantos tiros num filme! E olhe que RED tem vários momentos da mais absoluta calmaria, com diálogos inteligentes e personagens envolventes.

Ei, esses caras são bons, pode acreditar!
Os personagens principais brilham graças ao elenco, coisa da qual não se pode reclamar em RED. Além de Wilys como protagonista, Morgan Freeman como um galanteador agente já sem grandes expectativas na vida, John Malkovich como um paranoico eremita, desconfiado de tudo e todos e que recebeu doses diárias de LSD por anos, e Hellen "A Rainha" Mirren, uma simpática senhora cujo maior dom é a inegável competência com armas de fogo!

Agente Cooper: tenha medo.
Se o elenco principal já não fosse bom o suficiente, os coadjuvantes não deixam nada a desejar, como Karl Urban, que interpreta o agente Cooper, um jovem e habilidoso agente de sangue frio e grande perspicácia; Brian Cox, no papel de um agente da KGB que terminou seus dias atrás da burocracia de uma embaixada e Richard Dreyfuss, que aparece pouco mas tem muita importância na história, como um traficante de armas do pior tipo.

Aposentados, sim. Parados, nunca!

O primor de RED está em criar um universo próprio, bem amarrado, baseado num tipo já bem desgastado pelo cinema, que é o agente secreto. Ao usar de personagens "voltando" da aposentadoria para derrotar o vilão, meio que subestimados por seus perseguidores, além de muito bem construídos, o filme nos dá momentos de êxtase e tensão puro. Você torce - e muito - pra que Moses e sua turma consigam vencer o vilão. Aliás, o posto de vilão nesse filme troca de mão um certo número de vezes, o que é legal, pois deixa o espectador na incerteza do que esperar deste ou daquele personagem. Parabéns para os roteiristas Jon e Erich Hoeber e pro diretor Robert Schwentke por conduzirem tão bem este filme.

Hellen Mirren e sua metranca nervosa!
O início meio quieto demais do filme é só um embuste para as cenas estupidamente agitadas que virão depois. Tiroteios, perseguições de carro, explosões e claro, planos mirabolantes que todo filme de agente secreto tem que ter. E um pouquinho de road movie, absorvidos por nós, sortudos espectadores, na forma de postcards interativos com o ambiente do filme. #cool. RED lembra um pouco outro filme muito bacana, Snatch - Porcos e Diamantes. A diferença maior fica por conta de um elenco ainda mais afinado e de uma trama que busca referências numa época de mundo bipolarizado, bem ao gosto de James Bond de Sean Connery. Acontece que os tempos mudaram, tanto na história mundial como para os personagens de RED. O filme, apesar de pouco se importar com mensagens cult, talvez deixe o recado mais básico do mundo: não é porque se é velho que se chegou ao fim. Os personagens de RED dariam os típicos tios, vovôs e vovós que todos gostaríamos de ter: verdadeiros super-heróis. (Bem, acho que eu ninguém ia curtir um avô doido como Marvin Boggs, personagem de Malkovich...)

Comic Book

Capa da hq
Falar em super-heróis, RED é baseado em quadrinhos de Warren Ellis e Cully Hamner, lançados recentemente no Brasil, pela Panini, numa compilação contendo os três volumes originais. Tendência mais do que comum em Hollywood nos últimos anos. Dei uma folheada rápida - aliás, uma tuitada, de tão rapida - e achei o filme bem mais interessante. Primeiro, porque na hq, o tema da violência é exageradíssimo, e segundo, o elemento de comédia existente no filme deve ser lenda. Típico caso de adaptação que apenas se inspirou na obra original. Claro, nada que uma lida com mais calma não resolva. Talvez eu até esteja errado e o quadrinho tenha mais a ver com o filme do que estou dizendo!

Últimas palavras

RED é um filmaço. Vale a pena cada centavo do ingresso. E ver Hellen Mirren metralhando tudo que vem pela frente é, com certeza, uma das melhores coisas pra se ver num cinema!

RED - Aposentados e Perigosos
NOTA: 9.8/10

3 comentários:

Caio Viana disse...

Garanto que vc só comentou esse pq vem de HQs. Mas to muito afim de ver esse!

Wesley Prado disse...

Ei, nada a ver! Só saquei que vinha de HQs quando vi o logo da DC no início da projeção. Até pensei que era o trailer de Lanterna Verde. Fui atrás e vi o quadrinho. :P

Caio Viana disse...

Blz. Tá perdoado!

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