quinta-feira, 4 de novembro de 2010

It's Not My Imagination


Quase 10 anos de espera, mas finalmente o sonho virou realidade: The Cranberries veio mesmo para Recife. Além das músicas que marcaram especialmente a década de 90, o fãs tiveram direito ao carisma irresistível da vocalista Dolores O'Riordan.


Foto: Jordana Morais
Eu estava no meio de minha adolescência quando começou a se falar num show de Cranberries no Recife. O Chevrolet Hall ainda era Classic Hall, o Shopping Tacaruna ainda era novidade, notebook era coisa de (muito) rico, IPhone não existia (e nem a família Restart e correlatos), não tínhamos cinema 3D e o Festival de Verão do Recife prestava. Desde aquela época, quase todos os anos, sempre surgia um boato de que a banda irlandesa – e outras gringas, como Green Day – viriam tocar na Manguetown. Infelizmente, nunca passava do boato. Foi assim que cansei de alimentar esperanças pela vinda dos Cranberries. Era besteira pensar que um dia eles aportariam no Recife. Nessas horas - e só nessas horas - bate uma inveja de São Paulo...

Mas o cenário foi mudando. Recife passou a ser alvo das bandas internacionais. The Offspring e Silverchair passaram por aqui. Pena que grande parte era de bandas com séculos de estrada, já em fim de carreira ou se mantendo como zumbis, graças à fãs com contando seus 40, 50 anos (ou mais), como Deep Purple e Scorpions.

E então rolou o show do A-Ha. Até hoje fico puto de pensar que perdi aquele show por burrada minha. Ok, era uma banda velha, em turnê de despedida. O vocalista ainda chegou com a garganta pedindo outra. Nada disso, porém, apagou a importância daquela noite. Era um show que abria espaço para outras bandas pop/rock internacionais se interessarem pelo Recife, após muito tempo.

[Obs: os metaleiros recifenses não têm do que reclamar nesse quesito, uma vez que Recife vive a receber bandas estrangeiras do gênero. Já se fala de um segundo show do Iron Maiden por aqui, no ano que vem!]

Eis que em julho começou de novo a ladainha. Show de Cranberries no Recife. Tá, senta lá, Cláudia. Beijo, não me liga. Mas, à medida que julho passava, não é que era verdade? The Cranberries REALMENTE tocaria aqui. DE VERDADE! Claro que comprei meu ingresso assim que anunciaram as vendas. Uma semana depois e os camarotes já tinham acabado. Pouco depois foi a vez do frontstage. Os produtores devem estar rindo à toa até agora...

O tempo passou voando. Outubro veio com a promessa de grandes shows. Além de Cranberries, Recife ainda receberia a mini-turnê dos Los Hermanos (15) e a mega produção dos Black Eyed Peas (17). Os irlandeses fechariam um mês porreta pra nós, recifenses.


Le Grand Moment

Foto: Jordana Morais
Chegado o dia 22, minha ansiedade era grande. Eu iria ver o show de uma das bandas que eu mais curto na vida, na minha cidade, por um preço que foi até em conta (pista = R$80; meia entrada). Cheguei tarde ao show, mas pude conferir boa parte da apresentação, graças a Deus!

Eu poderia resumir o show de forma bem simples: imagine ouvir um CD dos Cranberries no conforto de seu lar, no volume que achar mais adequado. A voz de Dolores, a melodia, as letras, enfim, tudo muito bacana e com um efeito que faz você se tornar fã da banda para o resto da vida. Multiplique isso por 1000. Isso é Cranberries ao vivo.

Confesso que foi um dos poucos casos realmente fuderosos gritantes de diferença positiva entre gravação e ao vivo. Coisa assim eu só tinha visto nos shows do Cordel do Fogo Encantado. Dolores, que já tem um vozeirão capaz de passear entre agudos e graves com rapidez, vira uma diva no palco, cada verso cantado parecendo uma marretada no cérebro. O ritmo também era mais selvagem, mais veloz, dando a músicas como Promisses e Still Can’t uma potência que o registro em CD sequer arranha. Desperate Andy foi mais uma que ganhou outro colorido, principalmente com uma Dolores porra louquíssima no palco, saltitando para todo lado, fazendo umas dancinhas desengonçadas e com uma simpatia imensa.

Os dois momentos mais wow da noite foram, com certeza, nas músicas Zombie e Promisses (no bis). O público delirou com essas duas, cantando junto na base do berro. O Chevrolet Hall quase caiu de tanta força que aquilo causou. Já os momentos fofinhos ficaram por conta de Ode to My Family e When You’re Gone, para mim, uma das músicas mais tristes da banda e uma das mais esperadas por mim. Quando Dolores soltou o refrão “But I miss you when you’re gone”, não tive como não chorar...

Pra terminar a noite, que teve direito a rosas lançadas – e agradecidas – no palco, um cocar absolutamente kitsch, balões vermelhos soltados pelo fã clube (em referência a capa de “Wake Up and Smell The Coffee”, último álbum da banda) e a uma foto tirada pela própria Dolores na câmera de um fã muito sortudo, o bis contou com Empty, You and Me, Promisses (visceral) e Dreams. O final foi meio abrupto, não teve nada de “oubreegadoo, Rrêceefê!” ou mesmo um tchauzinho para a plateia. Mas, como a última música diz no título, foi uma noite para ficar nos “sonhos”.


Dolores arrasa!

Boa parte da graça do show se deve ao carisma mega de Dolores O’Riordan, essa irlandesa muito bem conservada. Na primeira parte do show, tremendamente sexy num vestidinho vermelho curtíssimo. Na troca de roupa, mudou para um longo preto, clássico e elegante, mas que não tirou nem um pouco a energia e a graça da vocalista. Dolores cantava aos risos, se empolgava com a plateia, puxava olas, dançava engraçado, pulava de uma lado pro outro, tocava nas mãos de quem estava no gargarejo, mandava beijos, agradeceu o buquê de rosas jogado ao palco e, num dos momentos mais inusitados, pediu a câmera de um fã que nasceu de cu pra lua muito sortudo que estava ali pertinho dela e tirou foto de um Chevrolet Hall lotado de fãs que esperaram quase uma década para poder dizer: esse foi o melhor show da minha vida!


Pequenos detalhes tristes

Aqui, fica um registro meio triste de minha parte. Como já foi dito, cheguei atrasado no Chevrolet Hall. Exatamente na sexta música, Linger, que já estava na metade quando desci do táxi. Já tinha perdido Animal Instinct, How, Analyse (que abriu o show) e Ordinary Day, música do disco “Are You Listening?”, empreitada solo de Dolores, além da bela Dreaming My Dreams. Corri com minha namorada na esperança de ainda conseguir uma brechinha na multidão e ficar no meio da pista. Que! A casa estava lotada, tentar se aproximar no empurra-empurra seria uma demonstração de desrespeito com as pessoas que chegaram mais cedo. Fiquei no último piso, lá atrás, minha melhor visão do palco sendo o telão, focado na vocalista na maior parte do tempo. Além da distância, da dependência do telão e de um certo desconforto, ainda confirmei velhas suspeitas sobre que tipo de gente fica nessa área do Chevrolet Hall: um bando de gente mucho loca de bebida, já meio “nem aí” pro que está rolando no palco; algumas menininhas frescas dando gritinhos insuportáveis e inventando coreografias dignas de Beyoncé e Lady Gaga (O_O) a cada música; e um bom número de chatos: pessoas que, apesar de curtirem o artista, ficam parados como se estivessem ouvindo um CD em casa. Tomam um gole de sua bebida, cruzam os braços e ficam lá, paradões, nem mesmo uma mexidinha de cabeça no ritmo da música. So boring... #fail

Essas pequenas coisinhas me morgaram, pessoalmente. Porém, seria muito egocêntrico de minha parte escrever um texto a respeito do show dizendo que foi uma porcaria por causa das dificuldades na minha apreciação estética. Deu para sacar que o show foi lindo, mesmo na porcaria de lugar em que eu estava, e que o público estava empolgadíssimo. Palmas para banda, que apresentou um setlist digno; para a produção, que montou um palco simples e equilibrado, sem firulas; para a organização do Chevrolet Hall, que foi elogiada na imprensa pernambucana; e para o público, que se derramou de coração para os irlandeses.

– x – x – x –

Esperando que os leitores não se cansem com um texto tããão grande...
E cruzando os dedos por um milagre: U2 em Recife! Será que rola um dia? :D


Agradecimentos a Jordana Morais por tirar fotos tão fantásticas. Jordana, caso você tenha chegado até aqui: tentei contato contigo mas só dava erro. Publiquei suas fotos com referência a você, mais especificamente seu perfil no Flickr, onde as fotos foram postadas originalmente.

3 comentários:

Caio Viana disse...

U2 em Recife? Sonho daqueles bem viajados ao som de Sigur Ros...
P.S.: Gostei da mudança! Segere alguma pro CeC? Ou deixo como está?

Jordana Morais disse...

Fico feliz que tenha utilizado as fotos e mantido os créditos =)

Eu imagino que tenhas tentado contato sim, mas o orkut e seus bugs não permitiram que isso se concretizasse!

Quanto ao show.. pra mim foi, sem dúvida, um sonho realizado. Antes eu queria muito ter comprado camarote, mas hoje vejo que se eu estivesse lá ( no camarote ) não teria curtido tanto nem tirado fotos tão legais...

Eu estava quetinha no show. Emocionada, estatelada com a imagem viva da Dolores e sua voz doce. Não sabia se tirava mais fotos ou se parava e observava eles com calma.

When you´re gone pra mim é especial demais.. Quando tocaram, eu gritei tanto que minha rouquidão pós-show foi provavelmente por conta dessa música.

Enfim um momento mágico que, graças a Deus, eu pude registrar com tanto carinho.

Que eles voltem em 2011, se Deus quiser =)

Bjs

Wesley Prado disse...

Jordana, que bom que você encontrou meu blog! Já estava nervoso sem um retorno teu.

O show foi ótimo, apesar das minhas complicações, e When You're Gone é mesmo uma música especial demais.

E vamos fazer uma corrente pela volta deles, já!

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