domingo, 11 de setembro de 2011

Lirinha mudou sem se perder

Lirinha arriscou novos caminhos sem deixar o lirismo que lhe é característico. Seu disco de estreia já chega com a força de quem quer deixar sua marca na música brasileira - e tem tudo para conseguir.


Passava um pouco da 0h deste domingo quando saiu a notícia de que o primeiro trabalho solo de Lirinha estava disponível para download. Emoção, ansiedade e nostalgia se misturaram. Há pouco mais de um ano e meio que a emblemática Cordel do Fogo Encantado havia terminado, nenhuma música, nenhuma notícia - ao menos no campo da música. O vocalista queria mais espaço, exercitar novas poéticas, se expressar para além da estética sertaneja do cordel.

E ele conseguiu. As doze faixas de Lira revelam um artista amadurecido, que se não canta mais o chão rachado e o labor da canavial, tece canções sobre o amor, a saudade, o sonho e a vida. Não há dúvidas de que a sonoridade dessa nova fase da carreira de Lirinha em nada lembra o seu trabalho à frente de Cordel. Guitarras, teclados, trompetes e até tricórdio (tocado por Lula Côrtes na faixa "Adebayor") entram no lugar do violão e da percussão africana, que tanto marcaram os tempos de "Pedrinha" à "Morte e Vida Stanley". Essa nova seara melódica pela qual Lirinha se aventura é culpa das guitarras de Neilton (Devotos), os teclados, pianos e sintetizadores de Bactéria (Mundo Livre S/A) e a percussão de Pupillo (Nação Zumbi), este último também responsável pela produção.

Escutar "Lira" é como escutar um disco de Coldplay com raiz pernambucana, brasileira.


Lirinha também manifesta um canto diferente, menos gritado, menos marcado pela métrica. Com essa liberdade, podemos apreciar um vocal diferente, que encantará a gregos e troianos. O disco abre com uma canção que parece servir de ponte entre os dois estilos; "Ah se não fosse o amor" é soturna como algumas faixas de "Transfiguração" e pulsante como o novo Lirinha deseja ser.

"Ela vai dançar" e "Nada a fazer" parecem perfeitas para uma terça de Carnaval no RecBeat ou para as festas alternativas de Recife: dá pra visualizar cada acorde ressoando à beira do Capibaribe ou numa casa noturna lotada de alternas, botando a galera para viajar. Enquanto a nostálgica "Noite Fria" traz à memória um jeito de marcha de bloco, daqueles de seguir cantando pelas ruas do Recife Antigo.

Em "Memória" e "Sistema Lacrimal", Lirinha chega a um pop quase chiclete, mas de qualidade, perfeita para as FMs bandidas de hoje. "Ducontra" é perfeita para os indies, um som que em nada deve às bandas mais recentes do estilo. A pancada mais rock de todas fica por conta de "Eletrônica viva", com bastante peso na guitarra e na bateria. Já "Valete", de longe uma das mais belas do álbum, tem endereço certo naqueles que sofrem ou já sofreram de amor, uma letra impactante como marreta e ótima interpretação de Lirinha, em parceria com Ângela Rorô e Otto.

A faixa mais curiosa - e um pouco (só um pouco) perdida - é "My Life", canção escrita e interpretada de maneira pueril por João Diniz Paes de Lira, filho de Lirinha. A letra, curta e simples, é toda em inglês e soa como um aviso de respeito a uma maturidade conquistada ao longo do tempo.

Escutar "Lira" é como escutar um disco de Coldplay com raiz pernambucana, brasileira. É saber que melodia e letra serão marcantes desde a primeira faixa, imprimindo no cérebro aquela sensação de ter escutado algo que está entre os melhores de seu tempo.



3 comentários:

Andre Dib disse...

Wesley, o álbum é mesmo muito bom. E obrigado pela "denúncia" da apropriação / adulteração do meu texto. Já tomei providências. Um abraço,

Wesley Prado disse...

De nada, Andre. Quando vi aquilo, corri logo pra avisar. Achei um absurdo o descaramento. Se ao menos tivesse o seu crédito, ainda vá lá, mas daquele jeito, não dava pra aceitar.

E obrigado pela visita!

Cátia disse...

Também amei o cd não paro de ouvir...Ansiosa para vê-lo no Conexão PE.

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