terça-feira, 29 de março de 2011

[Psicotrópicas] I, Computer



Veja só… Você tem menos de uma hora para resolver sua vida, e fica aí, parado na minha frente, como se fosse um viciado, dependendo de mim, sem conseguir me largar… Vai, continua assim, perde teu tempo! Ninguém vai te dizer mesmo pra parar. O que te impede? Eu sei como você é, do tipo que manda tudo às favas e depois fica meio arrependido, podia ter feito algo mais útil pra si e não fez…


A vida é assim mesmo: cheia de escolhas… mas você tinha de fazer justo as mais nocivas? Aquelas que lhe farão um mal danado mais pra frente?….


Mas você nem liga. Continua na minha frente, sugando todas as informações possíveis e deixando um pouquinho da sua vida comigo, ficando mais fraco, mais fraco… Sei que está morrendo de fome, de vontade de mijar, de lavar a cara pros olhos doerem menos… “Mas e daí?”, você diz, gritando como se estivesse amarrado à cadeira, prestes a abandonar seu pouquinho de liberdade.


É amigo, as coisas funcionam desse jeito. Pra cada vez que você fingir que nada mais no mundo vai lhe atingir, você volta os pensamentos pra verdade inexorável: que é mais vulnerável e dependente do que pensa….


É uma pena, não é? Saber disso tudo, pensar nisso tudo… Quem mandou nascer? Poderia ter ficado em paz, em algum lugar diferente, ao invés de passar por isso tudo… Ei, volta! Olha pra cá, seu maldito filho da puta! Não finja que não está falando comigo, seu merda! Só porque a japinha da turma nova entrou na sala não significa que você pode desviar sua atenção de mim. Canalha...

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