quinta-feira, 24 de março de 2011

[Somatórios] A Revolução do Simples

Por Lucas Campelo*

Me lembro, de forma nem tão nostálgica assim, o que significava “smartphone” há uns anos atrás: um celular grande e cheio de funções que apenas executivos utilizavam. Os aparelhos tinham menus extensos e complicados, um sem-número de configurações necessárias para se acessar à internet, tudo isso empacotado em telas pequenas demais que eram utilizadas para ler arquivos de texto e planilhas enormes de excel. E todo mundo acreditava que aquilo estava sendo feito do jeito certo.

Resquícios da Era dos Tijolões: pesados, desconfortáveis e pouco práticos

Esse grande erro de design só foi se tornar mais evidente em 2007, quando uma empresa que tinha dado certo com o iPod inventou de vender um aparelho celular. Foi um grande boom. De repente, era necessário para qualquer usuário comum ter e-mail, youtube, navegar, e até poder ver o google maps na palma da mão. Baixar aplicativos deixou de ser algo que era feito apenas no computador. Na verdade, se tornou tão popular que surgiram empresas e programadores independentes que ficaram ricos apenas vendendo os programinhas para o aparelho. Nasceu a era do iPhone.

E ano após ano, todas os concorrentes lançavam celulares mais poderosos, com melhores câmeras, processadores, diziam que era um “iPhone Killer” e morriam na praia. Nenhum conseguiu abocanhar uma popularidade tão grande entre o público comum quanto o brinquedo da Apple. A resposta era simples, literalmente. Era tudo uma questão de simplicidade.

Os usuários comuns não estão preocupados com quantos Mhz ou memória RAM tem o seu telefone celular, ou quantos Megapixels tem a camêra embutida. Eles só querem uma coisa: que o aparelho faça o que eles querem, na hora que eles querem. Que mande e-mail sem precisar chamar um técnico pra configurar, ou que possam navegar na internet em uma tela que permita ler o que está escrito. De repente, ao remexer em um iPhone, se descobre que basta arrastar o dedo para ler o resto do texto ou tentar esticá-lo para dar zoom. Que todos os programas são semelhantes para que você tenha que aprender tudo apenas uma vez. É esse cuidado com os detalhes e simplicidade da interface que passou tantos anos esquecida.


Bem-vindo a Era dos Toques

Estamos hoje no começo de uma era pós-PC, onde, cada vez mais, o computador fica desligado para dar lugar ao smartphone e ao tablet. O iPad, que usa o mesmo sistema operacional do iPhone, foi o aparelho eletrônico com a maior taxa de vendas da história, com 4,5 milhões de unidades no primeiro trimestre. Isso em um mercado de tablets que eram fracasso atrás de fracasso porque ainda insistiam em vir com o Windows, que nunca foi feito para telas de tamanho reduzido e sensíveis ao toque.

Foi a custo de muitas tentativas que, hoje, a indústria enxerga o tamanho do valor de mercado do “simples”, do intuitivo, do minimalista, da maneira com menos cliques de distância possível do objetivo almejado. Hoje não basta criar uma interface de usuário que sirva, mas aquela que deixe o usuário a vontade, como se ele a tivesse conhecido a vida toda e que ao mesmo tempo seja rápida, simples e uniforme. Uma interface que trabalhe mais o instinto e menos a cognição, para se gastar mais tempo fazendo e menos tempo aprendendo a fazer.


*Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco, 22 anos, empresário, ator, cinéfilo e tree hugger.







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A coluna Somatório é mais uma novidade do Caixa da Memória. Esta coluna está aberta para colaboração externa, sendo quinzenal e sempre com tema livre. A formatação deve ser: fonte verdana, tamanho 12, espaçamento simples, até 5.500 caracteres com espaço, mínimo de uma folha.

Essa formatação é só uma guia. O texto pode ser maior, sim. Sugestão de ilustrações/artes, assim como de suas legendas, também são aceitas (não necessariamente aprovadas). Tudo vai correr na base do diálogo.

4 comentários:

Mariana Ferraz disse...

adorei esse texto!

Luiza Falcão disse...

A mistura de Wesley e Lucas sempre me pareceu muito boa e saudável. Parabéns aos dois, tanto pelo texto quanto pela iniciativa em publicar-lo.

Talita disse...

O que é tree hugger?

Tali, 23 anos. Canto, danço, jogo bola e exercito o glamour nas horas vagas, mas não sei inglês.

Wesley Prado disse...

Segundo Lucas, é um termo para naturalista.

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