domingo, 6 de fevereiro de 2011

Nova Fórmula de Comédia Romântica

Centrado no talento de seus protagonistas, novo filme de Edward Zwick (O Último Samurai e Diamantes de Sangue) transmite a atmosfera de um relacionamento conturbado por uma situação insolúvel.


Há algum tipo de new school de comédia romântica se implantando no cinemão americano. Chega de comédias românticas vazias, com enredos dignos de novela das oito e desfechos óbvios de tão dementes. Agora, comédia romântica que se preze tem que ter um lance dramático em sua estrutura, tem que nos fazer lembrar que aqueles personagens são carne e osso, que quanto mais eles se parecerem conosco, melhor, pois terão nossa simpatia com muito mais facilidade. E Amor e Outras Drogas (Love & Other Drugs, 2010) é o mais recente representante desta escola "séria" de comédia romântica.

"Amor e Outras Drogras" alterna momentos fofinhos...
Não estou falando aqui de um filme entediante ou que se arrasta num enredo sem pé nem cabeça, só para encher linguiça. Trata-se de um olhar maduro e bem-humorado sobre o relacionamento entre um rapaz talentoso e independente e uma jovem marcada pelo signo de uma doença incurável. Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway são os protagonistas desta história romântica e tensa, demonstrando naturalidade tão grande em cena, inclusive em cenas de nudez de uma sensualidade sincera e desprovida de apelos.

...com situações emocionalmente tensas...
O filme é inteiramente centrado no casal, há pouco espaço para coadjuvantes – sendo o maior destaque o gordinho nerd e inconveniente interpretado por Josh Gad. A já mencionada naturalidade entre Gyllenhaal e Hathaway faz com o espectador sinta um realismo de personagens raramente visto no gênero. E mesmo nas situações mais hilariantemente irreais do filme – como uma certa urgência médica graças ao mal uso de Viagra... – é impossível não se envolver, não sentir, não se confundir, junto com eles. Como disse, é uma comédia romântica atípica.

...entremeadas pelo bom humor de Josh Gad e seu gordinho nerd.
A trilha de "Amor e Outras Drogas" merece atenção pelas suas músicas voltadas para a saudosa era MTV dos anos 90 - quando variedade musical ainda existia no canal. Algo esperado, já que a história se passa naquela década. Nada melhor para criar a ambientação apropriada do que ouvir Fatboy Slim ("Praise You"), Spin Doctors ("Two Princes", pra mim, a melhor do filme), Liz Phair ("Supernova"), Beck ("Jack-Ass"), Billy Bragg e Wilco ("Way Over Yonder in the Minor Key") entre outras. Para quem foi adolescente nos anos 90, a trilha acerta em cheio os ouvidos.

No fim das contas, "Amor e Outras Drogas" é aquele filme que você vai assistir com seu/sua namorado(a) e vai sair com um sorriso de orelha a orelha, sem grandes “melosidades” nem escrachos (embora nada exclua os solteiros da diversão, ok?). É um filme leve, descontraído, e ao mesmo tempo carregado, tenso, por conta do fantasma que ronda o personagem de Hathaway. Não espere gargalhadas imensas nem açúcar em doses cavalares. “Amor e Outras Drogas” é do tipo que se deve assistir sem esperar nada. E a recompensa será tremendamente agradável.



Amor e Outras Drogas
NOTA: 8.5/10

EXTRA:
-Clipe de "Two Princes", da banda Spin Doctors, grande sucesso nos anos 90 e uma das músicas na trilha de "Amor e Outras Drogas"

– x – x – x –

Pra quem achar que Anne Hathaway é sem sal, esse filme certamente mudará sua opinião... (Alguém viu Caio por aí? Hein? :P)




3 comentários:

Caio Viana disse...

Ainda não vi, mas pretendo manter minha opinião depois de vê-lo e passo aqui pra avisar... Ah! Antes de mais nada vale frisar que o sem sal não é por Anne, mas por suas performances como atriz!

João Paulo Parisio disse...

parei de ler no 2° prágrafo pq decidi assistir.

Wesley Prado disse...

Caio
Ah, ainda bem que você explicou o sem sal. Já tava lhe estranhando, heheh. E afinal, qual tua opinião pré-sessão?

João
Tomo isso como um elogio? :D

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