sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sem Direção

O Turista, filme estrelado por Johnny Depp e Angelina Jolie, teve boa oportunidade de usar e abusar de dois grandes astros. Mas com casal desencontrado e história fraca, acaba com toda a expectativa que se possa criar a respeito.



Sabe quando o sujeito chega numa cidade para “turistar” e perde horas consultando um imenso mapa, sem entender suas instruções e referências, sem entender pra que direção ir? Essa é uma metáfora bem adequada para O Turista (The Tourist), filme de Florian Henckel von Donnersmarck (cruzes!) que, ao fim de sua hora e pouca de projeção, se torna algo tão esquecível que até dá pena.

Talvez a razão disso é termos uma obra que, assim como nosso turista perdido do exemplo acima, não sabe pra onde ir. Começa com aquele clima paranoico de filmes de espionagem, à la James Bond ou trilogia Bourne. Depois, se perde numa linha romance barato, sem grandes ousadias ou desafios. Quando menos se espera, estamos num troço meio gangsta-policial, com direito a um poderoso chefão e a um azarado agente da Interpol. E quando você já está sem saber mais a que veio esse filme, tenta-se resolver todo esse samba do crioulo doido com um final “surpreendente”, que na verdade, só faz você se sentir enganado por ter pago o (caro) ingresso.

“Mas como assim, Wesley? Tem Johnny Depp no filme, cara, JOHNNY DEPP. Isso não pode ser ruim! E com Angelina Jolie também, putz, esse filme é rocha, pô!”. Pra quem concordou com isso, sinto decepciona-los. Em "O Turista", não houve Depp nem Jolie que salvassem. Depp está... estranho. Em outros filmes, isso seria bom, mas o que se tem é uma colcha de retalhos de coisas que já o vimos fazer nas telas. Até um "momento Jack Sparrow" rola, já no apagar das luzes. Sem contar que seu personagem é aguado, sem graça, o que parece uma contradição em se tratando de Depp. Já a gostosona Angelina Jolie faz um repeteco manso de uma Sra. Smith cansada, quebradiça. Nem mesmo a beleza dela contou pontos desta vez – e ela está linda na flor dos seus 35 anos. Aviso: se alguém for ver esse filme esperando cenas sensuais da atriz, pode esquecer. Além do cansaço, Jolie guarda um certo recato, um... como direi... non bitch style que ela não costuma vestir em suas personagens.

O Turista tenta se sustentar num casal sem química, numa perseguição internacional fraquinha e, com seu final “mirabolante”, ousa parecer um daqueles momentos grandiosos do cinema. Infelizmente, é uma perda de tempo, uma inócua tentativa de ressuscitar o climão dos antigos filmes de espionagem cheios de classe.

O Turista
NOTA: 4.5/10


– x – x – x –

Não, não teve um “último parágrafo descendo a lenha”, uma coisa que já virou costume nas minhas críticas. Por que, né?
Ah, e o trailer está aí em cima por puro respeito ao meu blog. E não, não caiam na edição bem planejada do trailer. O filme não tem metade da ação que mostra nesses quase dois minutos de vídeo...

Um comentário:

Caio Viana disse...

Gostaria que esse tivesse sido melhor... mas pelas críticas, duvido!

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