quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Eu quero sexooo!

Comédia nacional deste verão, De Pernas Pro Ar une boas atrizes - sem trocadilho, hein? - roteiro diferenciado e um assunto que nunca fica pra baixo: S-E-X-O!


À primeira vista, quando só havia um trailer rodando por aí, a ideia que eu - e provavelmente MUITA gente Brasil afora - tinha era que De Pernas Pro Ar seria a típica comédia brasileira sustentada num elenco de Globais (plim plim!), abusando de piadas chulas e palavrões. Que nada! Foi uma grata supresa ver que esse filme foge e muito das típicas comédias do nosso cinema.

Primeiro, pelas estrelas do filme: Ingrid Guimarães e Maria Paula. Ingrid ficou famosa por conta do seriado Sob Nova Direção, onde contracenava com a amiga de longa data, Heloísa Pérrisé, com quem também rodou o país com a peça Cócegas, com vários esquetes engraçadíssimos de situações (às vezes nem tão) corriqueiras, muitos deles focados no universo feminino e seus desafios na sociedade contemporânea. A peça completou nove anos de montagem no ano passado, terminando a temporada com a gravidez já bem avançada de Ingrid. Tudo indica que a peça volta este ano. Já Maria Paula é famosa a mais tempo, ao menos na tv, graças ao Casseta & Planeta, humorístico que encerra as atividades este ano para uma reformulação. Há anos fazendo o mesmo tipo de piadas, o grupo caiu na mesmice, principalmente na fase sem Bussunda, que morreu em 2006. Maria Paula, única mulher fixa no elenco do programa, começou como apenas mais uma mulher gostosa com dotes sensuais, caras e bocas e sussurros de tele-sexo. Quem diria, com o tempo Maria Paula se revelaria uma ótima comediante, capaz de ótimas imitações e paródias de personagens que estavam em voga na tv brasileira?

Esse contraponto entre uma atriz predominantemente interpretativa e de grande poder de improviso com outra de muito talento, mas ligada a uma comédia de estereótipos, formou um equilíbrio perfeito. Há uma sintonia visível entre duas, que devem ter rido litros durante as filmagens.

Promoção 69: não, isso não vai fidelizar a clientela...
De Pernas Pro Ar conta a história de Alice, uma bem sucedida profissional do marketing de uma loja de brinquedos, que só pensa - literalmente - no trabalho, incapaz de dar a devida atenção ao marido e ao filho. Na verdade, até a ela mesma. Alice é promovida a um cargo de gerência, que vai consumi-la ainda mais, o que não a incomoda nem um pouco. Para ela, sua família vai entender. Aham, senta Cláudia...

O mundo de Alice começa a desmoronar no mesmo dia: o marido pede um tempo (de um forma indelicada, inclusive), sua mãe insiste que ele trai a filha e, devido a um pequeno acidente, sua apresentação para a diretoria da empresa é um fiasco. Sem marido, sem emprego, Alice começa uma amizade com Marcela, vizinha gostosa e meio vulgar, com quem ela nunca havia trocado uma palavra. A medida que vão se conhecendo, Alice descobre que Marcela é dona de uma sex shop. Marcela, por sua vez, tenta abrir os horizontes da nova amiga para um mundo mais prazeiroso...

Alice num momento de descoberta com seu coelhinho...
Daí em diante, o filme é uma ótima progressão de situações cômicas, onde o sexo, direta ou indiretamente, está envolvido. Esse é o segundo ponto de destaque sobre De Pernas Pro Ar: apesar de ser um filme brasileiro de comédia com a temática do sexo bem forte, não cai na armadilha do grosseiro, do mau gosto, do chulo. Para se ter uma ideia, só há um palavrão no filme inteiro (trepada), num contexto totalmente cabível. As piadas também não são sujas (lembrei de Gerson, de Passione, aquele do "eu gosto de sexo sujo". #fail). São bem orquestradas, usando o duplo sentido sem vulgaridade. Nem mesmo os brinquedinhos - clichê maior de uma sex shop - são usados de forma tosca como, por exemplo, na cena inicial de "Não é Mais Um Besteirol Americano", onde a mocinha se masturba com um vibrador gigante que termina destruindo o bolo de aniversário que sua família carinhosamente lhe preparou. Fui esperando um cinema de "só putariaaaaaaa"* e saí da sala agradecido pelas risadas, num filme que, apesar do tema, não virou um "American Pie" ou um "Todo Mundo em Pânico 2".

Amor, de novo? - No nosso momento "descendo a lenha", o que posso dizer é que a interpretação de Ingrid guarda um pouco do trabalho dela em Cócegas. Bruno Garcia, que faz João, o marido de Alice, ficou meio perdido, e seu personagem é meio chatinho, bem careta e dramático. Mas de certa forma, um reflexo da macharia predominante que diz que dialoga com a esposa e nada. Um porém: Denise Weinberg, que interpreta Marion, mãe da protagonista, convence pra caramba no papel de uma senhora com a sexualidade bem desenvolvida. Achei ótimo não fazerem dela a típica velhinha-ninfomaníaca-constrangedora. Ela fez, sim, uma mulher de terceira idade, cujo desejo não ficou preso às amarras sexistas de outrora. Um ponto mais que positivo pro filme.

De Pernas Pro Ar
NOTA: 8.0/10



EXTRAS:
-Curiosidade: o nome, a princípio, seria "Sex Delícia", mas foi trocado após pesquisas que revelaram rejeição do público.

-O diretor, Roberto Santucci, é o mesmo de Bellini e A Esfinge, adaptado do livro de Tony Bellotto. O filme, hoje relegado aos círculos cults, foi um fiasco por conta da distribuidora, que não contava com um planejamento e estrutura adequados para o serviço - segundo o próprio Santucci.

-Clipe de divulgação com Ingrid Guimarães e Maria Paula para o funk "Só no Dedinho", que toca no filme (na verdade, não toca, mas assista que você vai entender...):


-Vídeos promocionais de "De Pernas Pro Ar":

1

2

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- x - x - x -

*Esse "só putariaaa" se refere a um susto durante o Natal, perto da casa de minha namorada: uma caminhonete vinha rápida, som alto, tocando funk. Na hora em que passava por nós, o "cantor" gritou em alto e bom só SÓ PUTARIAAAAAAA. Tomamos um imenso susto, pelo volume do som, mas caímos na gargalhada pelo jeito que o cara gritou aquilo!

4 comentários:

Caio Viana disse...

Gerson? Passione? Sob nova direção?
Tá vendo Globo e novelas demais... To te estranhando!!!

Wesley Prado disse...

Não, velho, tô clipando muito jornal, isso sim!
E Sob Nova Direção era legal - pelo menos as duas primeiras temporadas foram...

Caio Viana disse...

Tenho que concordar! Os melhores eram mesmo os coadjuvantes!

Luiza Falcão disse...

Noossa!!! Adorei o texto. Fiquei até curiosa para ir ao cinema. Espero que o filme seja tão bom quanto!!!

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